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 Mosteiro Sao Bento 768x576

Fazia muito tempo desde que não íamos até o centro histórico de São Paulo, nas proximidades do Mosteiro de São Bento. Antes da pandemia, porém, todos os anos tínhamos o hábito de passar por lá e visitar a padaria do Mosteiro, famosa pelos pães e bolos finos feitos pelos monges beneditinos.

Desta vez, estávamos pela região por conta de questões de trabalho e nos ocorreu aproveitar a proximidade. De início já me chamou a atenção o fato de haver mais policiamento ao redor. Em geral, à frente da entrada da Igreja sempre havia muitos desabrigados, pessoas em situação de rua, abordando os transeuntes e os visitantes, mas, naquele dia ao menos, não estavam por lá.

Fundado em 14 de julho de 1598, segundo uma rápida pesquisa que fiz, o Mosteiro tem sua atual construção datada de 1922, idealizada por um arquiteto alemão. A igreja é belíssima e a decoração interna foi realizada pelo monge beneditino D. Adelbert Gresnicht, um neerlandês que viveu alguns anos no Brasil, falecido em 1956. As principais atrações do Mosteiro são a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, um relógio famoso instalado em 1921, um órgão de tubos e a padaria.

Não é permitido fotografar o interior da Igreja, seja por questões de preservação dos afrescos, seja pela privacidade e paz daqueles que lá estão para orar, mas é possível encontrar imagens do local, disponíveis na internet. Como era um dia de semana, fora do horário de missas, apenas uma meia dúzia de fiéis se espalhava pelo lugar, espalhados pelos bancos de madeira.

Pela lateral da Igreja se tem acesso à padaria, ou melhor, ao balcão de vendas. Os bolos são verdadeiras obras primas, não pela aparência em si, mas pela complexidade e variedade de ingredientes e de sabores. O preço, porém, não é para todos. Pelo pouco que sei, os monges beneditinos que ali vivem, os cenobitas, que pertencem à Ordem de São Bento, atualmente têm um perfil mais jovem, e vivem em clausura parcial. Com suas vestes de cor preta, já foram conhecidos historicamente como os “monges negros” e, entre outros votos, fazem o de pobreza.

Os pobres, porém, não têm qualquer chance de comprar o que ali é vendido. Talvez, pelas ações de caridade dos monges, possam eventualmente ganhar o que ali se produz, o que não sei se ocorre, mas, comprar, por certo, acho bem difícil. Para se ter uma ideia, um dos bolos mais tradicionais, o bolo dos monges, feito com ameixas, damasco, açúcar mascavo e vinho canônico, que pesa em torno de um quilo, custa R$ 200,00. Já o pão de São Bento, que se assemelha a um pão brioche, é vendido a R$ 38,00. Muito embora o bolo seja realmente muito bom, rico em aromas de frutas e especiarias, o pão não tem nada de extraordinário.

No site do Mosteiro é possível conhecer todas as opções de bolos, pães e outros docinhos, todos entregues em caixas belíssimas. A produção da padaria é intensa, o que me leva a crer que a aquisição também o seja. No fim do ano e em datas específicas, como a Páscoa, já me deparei, em anos anteriores, com filas consideráveis, com espera para novas fornadas.

Ao lado da padaria, ainda, há uma vitrine expositora para venda de medalhas, correntes, terços etc. Achei tudo lindo, mas com valores meio “temperados” demais para o meu bolso. Decidimos trazer um dos bolos para casa, depois de muito ponderamos pela escolha única. O bolo dos monges está sendo comido em fatias finas e respeitosas, mas confesso que torço para que os monges tenham orado bastante sobre ele enquanto o preparavam...

 

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e não raro se admira com certos paradoxos – /www.escriturices.com.br

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