images/imagens/top_2-1-1024x333.jpg

monstra

A monstra foi presa na cidade de São Paulo, acusada de torturar até a morte, pequenos animais, como pintinhos, ratos, coelhos e gatos, registrando tudo em vídeos de extrema crueldade, horror e conteúdo sexual, os quais eram vendidos através da internet, normalmente em euros.

Vou poupar o leitor dos detalhes sórdidos, até porque eu mesma sequer fui capaz de olhar direito as poucas cenas que foram divulgadas nos veículos de imprensa. O pouco que vi me causou tanta indignação, tanta tristeza, que acabou com meu dia e diminuiu um tanto das minhas esperanças em um mundo melhor, sobretudo para os animais.

Nem sei se me choca mais saber que uma cretina dessas é capaz de atos tão abomináveis contra criaturas inocentes, sem qualquer chance de autodefesa, vítimas da pura ganância, da vagabundagem, da maldade de quem acredita que tudo vale em nome do dinheiro ou se é saber que há quem pague para assistir a uma coisa dessas. Que tipo de gente é essa que se diverte e se excita assistindo a morte e a dor alheias?

Por mais que eu não faça a mínima questão de conhecer as profundezas da maldade, de vasculhar os porões das parafilias, já vivi o suficiente para não ser ingênua. Então sim, eu sei que a morte dos animais perpassa por questões culturais, alimentares, antropocêntricas e que há muita crueldade gratuita disfarçada, ignorada ou tolerada. Mas isso de forma alguma ameniza, alivia ou justifica os atos dessa criminosa. Infelizmente, ela não representa um caso isolado.

Graças à denúncia de uma ONG de proteção animal da Bulgária, a polícia brasileira chegou até a casa da criminosa que, diante da prisão, em um primeiro momento, negou ser a pessoa que aparecia nos vídeos repugnantes. O pior de tudo? Foi solta pouco tempo depois, como resultado de uma legislação ainda ineficiente contra a grande parte dos maus tratos aos animais.

Gostaria de acreditar que gente assim é doente, incapaz de entender o que faz, mas, desafortunadamente, parece-me não ser o caso. Assisti, inclusive, a algumas entrevistas de profissionais da área da saúde mental e, de acordo com eles, essas pessoas sabem que cometem crime, tanto que o negam quando confrontados. Apenas não se importam. Não têm empatia, nem com bicho e nem com gente. Não há remédio que cure uma alma dessa.

Ainda que ela ficasse presa, outros tantos monstros continuam agindo da mesma forma, dentro e fora do Brasil. O mal é universal, assim como o bem. Animais e pessoas são vitimados, todos os dias, pelo vão desejo alheio, porque dentro de algumas pessoas só há escuridão, vazio, caos e ausências de toda grandeza.

Só fico pensando no sofrimento dos pobres animais, cujas vidas nada valem para quem apenas os vê, mas não é capaz de enxergá-los. Vitimar filhotes ou animais frágeis, levando-os a uma morte lenta, dolorosa e sem sentido, por dinheiro, diversão, sadismo, bem como assistir ao registro desse horror, por prazer carnal, é imperdoável, é perverso, verdadeiras deformidades de caráter, um retorno à barbárie.

Não se iludam aqueles que acreditam que o mal que se abate desta forma sobre vidas animais fica circunscrito a eles, pois a maldade que não se combate, que se tolera, que se ignora, amanhã se apresenta aos humanos vulneráveis, vitimando-os com menos piedade. O silêncio dos “bons” é tão letal quanto o agir dos maus, não nos enganemos.

 

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e está em choque, uma vez mais –

Share on Social Media