
Gosto de abraços, daqueles de verdade, apertados, das pessoas que me querem bem. Se eu tivesse que escolher um lugar de conforto, de proteção, seria sempre dentro de um abraço. As pessoas superestimam os beijos, mas nada se compara a um abraço sincero, de amor, de amizade, de amparo, de acalento, de reencontro, de gratidão, de saudade.
E por falar em saudade, eu sei que um dia, quando for o tempo dela, tudo que eu irei desejar é um abraço de quem se foi. Fecho os olhos e sou capaz de me enxergar dentro de alguns abraços que já não existem mais e sinto meus batimentos se acelerarem. Nunca perdi a chance de abraçar as pessoas que abriram abraços que julguei sinceros em minha direção. Não me arrependo nem mesmo daqueles que se mostraram como abraços de jacaré.
Quando meu sobrinho tinha pouco mais de um ano, começou a dar o que chamava de abraços coletivos. Com seus bracinhos curtos, no colo de alguém, reunia os pais, tios, avós e quem mais estivesse por perto e, fazendo força, tentava abraçar a todos. Nem sei dizer o quanto eu gostava e me emocionava com aqueles momentos. Hoje, aos quatorze, ele ainda é amoroso, gentil e gosta de abraçar, mas um adolescente, naturalmente, não se envolve em abraços coletivos.
Uma coisa interessante sobre os abraços é que eles são universais. Quem nunca ficou em dúvida se era para dar um, dois ou três beijinhos no rosto ao cumprimentar alguém? Porque isso muda a depender do lugar. Já puxei o rosto inadvertidamente, sem esperar pelo terceiro beijo, como já fiquei com um segundo beijo estalando no ar, perdido. Com abraço isso não acontece. Claro que tem quem não goste, mas se a pessoa abrir os braços para receber um abraço, não tem erro, porque em regra é a mesma coisa para todo mundo e em todos os lugares.
Os abraços são mais simples no gesto e todo mundo nasce aprendendo como fazer. Nunca vi, li ou soube sobre alguém ensaiando como dar o primeiro abraço, nervoso com medo de fazer algo errado. Diferente dos beijos, como espelhos muito bem sabem. Tristes daqueles aos quais os abraços foram economizados, suprimidos, evitados. Abraçar é gesto de amor, mas também de confiança, de uma proximidade que pode salvar, mas também matar. Assim, quem se dá ao abraço, se dá ao outro, ainda que por segundos.
Abraço todos a quem devoto bons sentimentos, seja minha família, meus amigos e meus animais de estimação. Aliás, esses últimos eu abraço o tempo todo, sentindo o conforto de seus corpos quentes e o bater de seus puros corações. Aqui em casa, acredito, a bicharada já deve pensar: “Ixi, lá vem a humana!” E eu vou mesmo. Eles que lutem, porque se eu cuido, alimento, vacino e limpo, o mínimo que eles têm que aturar é uma tutora que os abraça ao menos uma vez ao dia. E sendo oito pets, tenho minha dose diária de oxitocina para ser feliz, embora, talvez, enquanto as cachorras apreciem, os gatos possam discordar.
Abraçar, para mim, é verbo que conjugo no singular e no plural, no passado, no presente e no futuro. Enquanto há vida, enquanto há carinho, há braços abertos para essa troca divina, para esse gesto que transpõe obstáculos, que reúne almas, que troca energia, que nos faz lembrar o quanto os momentos são únicos e passageiros. Por isso, não adio os braços: enquanto o tempo corre, eu sigo distribuindo eternidades em forma de aconchego.
