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Há muitos e muitos anos eu jogava futebol. Adolescente, cursando o então chamado colegial, durante três anos integrei o time de futebol feminino da escola. Havia jogos interclasses e jogos entre times de escolas diferentes. Futebol de areia e de salão eram os meus preferidos. Marcar um gol era uma sensação indescritível, uma onda de adrenalina, uma emoção que nem sei explicar. Descobri que levava certo jeito para coisa e até hoje guardo as duas medalhas que conquistamos.

Curiosamente, porém, nunca gostei de assistir jogos de futebol, ao menos não na televisão, bem como acompanhar via rádio. Acho tudo ou muito chato ou muito estressante. Admito que na única vez em que estive no estádio do Corinthians, mesmo sendo um jogo amistoso, gostei bastante, com meu coração batendo no ritmo dos gritos da multidão. Há, em eventos dessa natureza, algo que contagia, que emociona.

Em princípio, nada tenho contra eventos de competição esportiva, ainda que não sejam meus preferidos. Só sou a chata que prefere participar do que assistir, mas tenho boas lembranças de Copas do Mundo passadas, que, em geral, muito mais se ligam ao fato de estar entre amigos, confraternizando, do que aos jogos em si. Reunidos na casa de amigos, com vasilhas de pipoca, pintados e/ou vestidos de verde e amarelo, o jogo era, ao menos para mim, um pretexto.

Confesso que sofri assistindo a alguns jogos do Brasil em Copas do Mundo, porém há muito não vejo um jogo eletrizante, daqueles nos quais o futebol brasileiro era um acontecimento, um exemplo de competência e dom. Em um país de pobrezas de grandezas diversas, era bacana ver a seleção canarinho brilhar. Eram outros tempos, nos jogadores eram conhecidos pelos talentos esportivos, não pelos escândalos amorosos, pelo dinheiro ou por estarem em jogando em outros países.

As aberturas das Copas costumavam também ser sensacionais, acompanhadas pelas pessoas com emoção. Os brasileiros acreditavam e tinham chances reais de trazer uma taça para casa. Não que isso mudasse a realidade das pessoas, mas era uma alegria. Agora, nem isso temos mais. Claro que nada é impossível e, embora hoje em dia eu quase nada mais acompanhe do assunto, não creio que a participação brasileira será longa nesta edição.

Nem vou adentrar ao mérito econômico do evento, porque isso daria outro texto, outra conversa. Ainda, assim, restrita aos jogos, o que se percebe é que os países que não tinham tradição no futebol trataram de se especializar, fazendo o trabalho de casa, provando que treinar com seriedade pode compensar. Nem sei se há favoritos, mas sinto saudades de conhecermos histórias surpreendentes como a da seleção de Camarões, por exemplo.

Apenas há alguns dias é que descobri que o mascote brasileiro é um canarinho chamado Pistola. Tomara a gente não fique é “pistola da vida” diante de jogadores caindo em campo, porque nem para a criançada está fácil completar álbuns de figurinhas que podem custar quase oitocentos reais. Se irei torcer pelo Brasil? Claro que sim, porque apesar de todos os pesares, os brasileiros ainda (não se sabe até quando) são conhecidos por não desistirem nunca.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e não tem mais bola no pé – /www.escriturices.com.br

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