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a historia ao vivo

Imagino como será explicar essa lambança jurídica e política que estamos vivendo aos estudantes do futuro. Por certo que os livros oficiais contarão conforme os interesses daqueles que estiverem no Poder. Não há narrativas históricas destituídas de ideologias e, infelizmente, muitas ideologias são cortinas de fumaça para ocultar interesses econômicos. Então, sabe-se lá como 2026 será descrito e explicado pela história, mas para quem está por aqui, vivendo o momento, já está bem difícil de entender e de aceitar.

Concluo que o Direito que tenho estudado desde a época da faculdade igualmente não explica muita coisa em tempos de regras severas apenas para quem ousa discordar de uma pseudodemocracia. Os escândalos financeiros, de um dinheiro que parece quase mítico, infinito, financiador de tudo e de todos, nem bem são divulgados e logo são substituídos por outros. De direita ou de esquerda, quase ninguém presta contas de nada. Para os meus, tudo; para os outros, as duras penas da lei.

Crime organizado infiltrado em setores importantes da economia, da política, surfando na sociedade que valoriza a ostentação e que venera ídolos vazios, repletos apenas de seguidores, o rebanho das redes sociais. Enquanto traficantes têm direito a saidinhas estratégicas, as celas permanecem fechadas para quem não pode votar ou legislar em causa própria. Enquanto o poder encastela e blinda poderosos, o povo permanece embaixo da tenda do circo, seja como palhaços, seja como claque, vibrando enquanto são servidos snacks de vales.

Engana-se, porém, quem acredita que tudo é apenas uma questão de escolha política. Já passamos, lamentavelmente, em muito, tal fase. Antes fosse escolher entre o partido X e o Y, o que é desejável, democrático, saudável. A questão agora é decidirmos se queremos nos manter soterrados pela corrupção que nos assola, que desvia verbas que poderiam salvar e transformar vidas, se vamos permitir que o poder, esteja ele nas mãos de quem estiver, possa ser usado contra nós sem pudor, rasgando e jogando no lixo as regras mais fundamentais de moralidade e decência.

Sempre me entristeço quando vejo notícias sobre nações inteiras destruídas por guerras, o que me faz agradecer por viver em um país não beligerante. Agora, porém, sob nossos olhos, atentos ou não, também há uma guerra em andamento, igualmente letal, demolindo os pilares de nossa nação. As páginas que estão sendo escritas e rasgadas comporão um capítulo da história que ainda não sabemos como será registrado. Fica o desejo ou a ilusão de que não seja apenas de impunidade e de vergonha.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada e professora universitária – /www.escriturices.com.br/@cinthyanvs

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